PORQUE DEUS NÃO DEFENDERÁ UMA TESE
porque essa tarefa é demasiadamente humana... há mais, além.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Grief
Meu lado Polyanna me faz sempre ver o lado bom das coisas. Mas eu estou em grief.
Por vários motivos.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Discurso 11a Turma de Psicólogos UFSM - 06/01/2012
Esse foi o discurso que tive a honra de proferir enquanto Paraninfa da 11a Turma de Psicólogos UFSM. Já está no Blog!
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Caríssimos Colegas psicólogas e psicólogos
É com muita alegria e gratidão que esta noite estou com vocês no papel de paraninfa da decima primeira turma de psicólogos da Universidade Federal de Santa Maria.
A escrita dessa fala começou em maio, no dia em que me agraciaram com este título.
Eu lembrei de vocês, porque me perguntei – tal como vocês fizeram no primeiro dia de aula de psicopato da infância – como se começa?
E o que foi que eu respondi naquela época? (não, não estou brincando de adivinhar as palavrinhas) Que vocês tinham, antes de tudo, de SER. E cá estou eu, sendo. Que honra enorme essa de poder falar para vocês e para os que vocês amam, nesse dia tão especial. Me sinto imensamente grata por ter sido designada por vocês para essa fala. A minha palavra hoje, é gratidão.
Inicio esta fala com uma parte de mim, através do trecho de um conto de José Saramago, denominado “O Conto da Ilha Desconhecida”. Em busca de uma ilha, ainda não conhecida, um barqueiro vai até o rei, na porta dos obséquios, pedir-lhe um barco para sua empreitada. Ao pedido do barqueiro, o rei responde:
"- E vieste aqui para pedir-me um barco?
- Sim, diz o barqueiro, vim aqui para pedir-te um barco,
ao que o rei responde:
- e tu quem és, para que eu te dê?
- e tu quem és, para que não me dês, pergunta de volta o barqueiro
- sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem-me todos.
o barqueiro reflete,
- mais lhes pertencerás tu a eles do que eles a ti
- que queres dizer? perguntou o rei, inquieto,
- que tu, sem eles, és nada, e que eles sem ti, poderão sempre navegar".
Assim somos nas relações humanas; horas somos o rei, horas somos o barqueiro. Horas temos a ingenuidade e a coragem da busca do barqueiro, horas a rigidez amedrontada do rei. Hoje vocês saem em busca de suas ilhas desconhecidas. E tal como o poeta Antônio Machado, sabemos que o caminho se faz ao andar.
Hoje é um dia especial, que redundância! Hoje é dia de fim e de inicio. Vocês concluem o curso graduação em psicologia e passam a ser oficialmente psicólogas e psicólogos. E que orgulho eu tenho de dizer isso! De, a partir de hoje, poder chamá-los de colegas.
Um caminho, como vocês sabem, que não começou há apenas 5 anos atrás, mas no dia em que nasceram: A formação de um psicólogo não é, não se faz em curtos 5 anos. A formação de um psicólogo é de sua vida inteira: de sua história, de sua família, de sua psicoterapia pessoal, de seu estudo. A aprendizagem da psicologia, como nos disse Carl Rogers, é plantada sob o terreno das relações humanas, e esse autor humanista coloca que as condições necessárias para a relação ensino e aprendizagem são o apreço, a confiança e a aceitação; que significam gostar do outro, aceitá-lo e confiar nele. Somos atravessados pelo saber da psicologia, posto que ele não é apenas intelectual, mas, sobretudo, afetivo.
Marcello García, renomado autor da área da educação nos diz que “para que uma ação de formação ocorra é preciso que se produzam mudanças através de uma intervenção na qual há participação consciente do formando e uma vontade clara do formando e do formador para atingir os objetivos explícitos”: para prosseguirmos no caminho do aprender que resultará em transformação social precisamos de dois sujeitos imbuídos desse desejo. E tomados de coragem para o desconhecido, posto que os caminhos traçados podem carecer de singularidade, criamos essas relações.
Essa é uma turma de joias muito preciosas. Há pessoas extremamente estudiosas, dedicadas e corajosas. Muitas, desde o inicio do curso, já desbravando o mundo, já saindo de suas fronteiras. Outras, farão isso a partir de agora. Nessa turma há seres humanos, na acepção da palavra, por isso sei que têm dentro de si, a capacidade de gostar, aceitar e confiar.
Edgar Morin nos diz que um dos saberes necessários a educação do futuro é aprender a condição humana... nós, psicólogos, temos o dever de liderar tal saber. Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade, sua diversidade na unidade. Uma turma sempre é diversamente composta. Dentro de suas diferenças, vocês conseguiram encontrar pontos de intersecção, e esse aprendizado é necessário para conheçam e respeitem as demais diversidades que encontrarão pelo mundo afora.
Vocês hoje são o futuro de uma profissão que vem construindo, paulatinamente, seus saberes e fazeres. Vocês carregam a nossa fé de psicólogos, professores, educadores, por um mundo melhor, uma sociedade mais justa, mais ética, mais relacional. Vocês carregam a minha fé no futuro.
Sobre fé e esperança, não posso deixar de citar o grande mestre Paulo Freire, quando diz que há uma relação entre atividade educativa e esperança: A esperança de que professor e estudantes juntos possam aprender, ensinar, inquietar-se e produzir juntos.
Eu desejo que vocês consigam ter apreendido ao longo destes 5 anos a capacidade continuar aprendendo. Desejo que tenham internalizado o que Jacques Delors chama de os 4 pilares da educação do futuro: o aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a SER. Que tenham alguma ideia da diferença entre conhecimento e saber: que o saber pode ou não, surgir do conhecimento.
Eu desejo que vocês cresçam, que não compactuem com uma sociedade cujo objetivo é prolongar indefinidamente a adolescência. Eu desejo que vocês honrem e apliquem o juramente que aqui fizeram publicamente, para o beneficio das pessoas e da sociedade. Desejo que sejam cuidadores antes, e apesar de tudo, circunstância ou época. Eu desejo que vocês sejam o barqueiro em busca do que ainda não se conhece e do que se duvida, e que ainda assim, saiam em busca do que acreditam.
Eu desejo que acreditem. Vivemos uma época cheia de incertezas e transformações em todas as áreas e dificilmente conseguiremos abarcar tudo. Assim, precisamos do outro e do que ele ensina sobre nós mesmos.
Sempre haverá algo que não conseguiremos entender.
Sempre haverá algo com que não concordaremos.
Mas ainda assim teremos as relações que construímos, porque o ser humano é, antes de tudo, um ser em relação. Vocês são um exemplo disso, de relações conquistadas, e que espero, não terminem aqui.
Parabéns.
Parabéns pelo titulo obtido hoje, pelo empenho, pelas batalhas internas e externas.
Parabéns pelas pessoas que vocês são, e que tenho certeza, farão toda a diferença.
Muito boa noite a todos e
Muito obrigada!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
No ano novo
Eu sugiro a todas as pessoas que pensem bem.
Que pensem bem em suas escolhas, porque depois, chorar adianta muito pouco.
Sim, decidi ser direta.
Às vezes rodeio falando bonito mas a moral da história é só uma: cada um escolhe o inferno em que vive. E o inferno pode ser os outros (by Sartre). Mas quem os escolhe para por em nossas vidas?! é meu amigo, vai sentar no cantinho de pensar.
Inclusive eu, claro.
Responsabilidade, já ouviu falar?
Pois é.
Uma certa vez, numa das várias falas que assisti do Goldim (José Roberto) sobre bioética e autonomia, ele falava que deveríamos, para escolher pessoas que estarão ao nosso lado, deveríamos pensar se elas decidiriam por nós na nossa impossibilidade exatamente como nós mesmos. Em suma, se nos conheceriam e respeitariam nossas vontades numa impossibilidade de manifestação dessa vontade. Fica a dica pra pensar no ano novo.
Por isso eu sugiro que as pessoas pensem bem.
Todas as pessoas, homens e mulheres. Porque uma escolha minha pode, além de me atrapalhar, atrapalhar outros que nada tenham com isso. Ai é mais que péssimo.
Balela, chover no molhado.
Mas como diz a Cléo, baita ser humano que conheci esse ano, a gente precisa acreditar que dá pra mudar alguma coisa. E começa com cada pessoa, exatamente assim.
Que pensem bem em suas escolhas, porque depois, chorar adianta muito pouco.
Sim, decidi ser direta.
Às vezes rodeio falando bonito mas a moral da história é só uma: cada um escolhe o inferno em que vive. E o inferno pode ser os outros (by Sartre). Mas quem os escolhe para por em nossas vidas?! é meu amigo, vai sentar no cantinho de pensar.
Inclusive eu, claro.
Responsabilidade, já ouviu falar?
Pois é.
Uma certa vez, numa das várias falas que assisti do Goldim (José Roberto) sobre bioética e autonomia, ele falava que deveríamos, para escolher pessoas que estarão ao nosso lado, deveríamos pensar se elas decidiriam por nós na nossa impossibilidade exatamente como nós mesmos. Em suma, se nos conheceriam e respeitariam nossas vontades numa impossibilidade de manifestação dessa vontade. Fica a dica pra pensar no ano novo.
Por isso eu sugiro que as pessoas pensem bem.
Todas as pessoas, homens e mulheres. Porque uma escolha minha pode, além de me atrapalhar, atrapalhar outros que nada tenham com isso. Ai é mais que péssimo.
Balela, chover no molhado.
Mas como diz a Cléo, baita ser humano que conheci esse ano, a gente precisa acreditar que dá pra mudar alguma coisa. E começa com cada pessoa, exatamente assim.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
A profundidade da miséria humana
Por esses dias me dei conta de que sempre falo aqui de coisas não-boas, ou em português correto, coisas ruins: seres humanos jogando crianças de janelas, esquecendo bebês em carros, matando, roubando, mentindo, manipulando. Vez por outra aparece um milagre. Mas no que mais detenho, é naquilo que o ser humano tem de pior, mostra de pior. De fato, me lembro sempre de ser ma pessoa que não diz coisas com o intuito de agradar. Muito antes pelo contrário, quase sempre falo coisas que as pessoas não gostariam, em algum nível, de saber, ou de ouvir. Costumo ser quem denuncia, o tal do bode expiatório dos grupos.
Isso faz, obviamente, com que eu não seja um recorde de audiência. E pra mim tá ótimo assim.
Claro que, ao longo da vida, estou aprendendo o que dizer e a hora de calar. E calo com o coração tranquilo.
Mas tem coisas... tem coisas que não dá.
Essa coisa, essa ruindade de que falava Saramago às vezes está muito, muito mais perto do que jamais supomos. Essa vivência de maldade crua, dessa miséria de que somos feitos. Eu olho pra uma pessoa e penso: o que tem dentro, esse ser?! de que pode ser composto? e me dou, conta, do mesmo que eu. Eu vejo meus amigos, os estranhos, meus alunos, meus clientes, pessoas de bem, do bem, lutando, pra ser melhor, pra viver bem, pra ser ser honesto. E penso, o que se passa na cabeça das pessoas que deliberadamente fazem o mal? Gente, eu tô falando de mal, MAL, de tirar doce de criança, de tirar a muleta do aleijado. De burlar a confiança.
Quem são essas pessoas?
Do que são feitas?
Qual o sentido da vida?
Vitor Frankl, desde um campo de concentração, dizia que, mesmo dentre soldados alemães, haviam aqueles que escondiam um pão para dar ao preso quase-morto de fome, enquanto outros chutavam até a morte um corpo já desfalecido pela fome e pelo cansaço. É do segundo tipo que eu estou falando.
E para que estou falando, me pergunto.
Poderia calar.
Mas eu ainda acredito. Quero, preciso acreditar.
Que um dia os bonzinhos vão ter que ganhar.
Isso faz, obviamente, com que eu não seja um recorde de audiência. E pra mim tá ótimo assim.
Claro que, ao longo da vida, estou aprendendo o que dizer e a hora de calar. E calo com o coração tranquilo.
Mas tem coisas... tem coisas que não dá.
Essa coisa, essa ruindade de que falava Saramago às vezes está muito, muito mais perto do que jamais supomos. Essa vivência de maldade crua, dessa miséria de que somos feitos. Eu olho pra uma pessoa e penso: o que tem dentro, esse ser?! de que pode ser composto? e me dou, conta, do mesmo que eu. Eu vejo meus amigos, os estranhos, meus alunos, meus clientes, pessoas de bem, do bem, lutando, pra ser melhor, pra viver bem, pra ser ser honesto. E penso, o que se passa na cabeça das pessoas que deliberadamente fazem o mal? Gente, eu tô falando de mal, MAL, de tirar doce de criança, de tirar a muleta do aleijado. De burlar a confiança.
Quem são essas pessoas?
Do que são feitas?
Qual o sentido da vida?
Vitor Frankl, desde um campo de concentração, dizia que, mesmo dentre soldados alemães, haviam aqueles que escondiam um pão para dar ao preso quase-morto de fome, enquanto outros chutavam até a morte um corpo já desfalecido pela fome e pelo cansaço. É do segundo tipo que eu estou falando.
E para que estou falando, me pergunto.
Poderia calar.
Mas eu ainda acredito. Quero, preciso acreditar.
Que um dia os bonzinhos vão ter que ganhar.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Essa não é a sua vida, essa não é a sua história
Tanta coisa.
Sei que quem deveria ler isso aqui não vai, e caso lesse, não entenderia.
Na psicologia, o correto é que a gente conheça a nossa história de vida, de cabo a rabo, pra não repetir, casualmente, escolhas ruins e relações ruins que tenhamos, porventura, vivido antes que pudéssemos escolher.
Hoje estou com raiva, querido diário.
Há coisas que ficam guardadas em armários por muitos anos. E diz um ditado americano que raiva é como torta de maçã, depois de fria não tem mais sentido. É verdade.
Mas há momentos em que a nossa história de vida salta na nossa frente, seja na vida da gente ou na vida dos outros. Porque, sim, há quem tenha uma certa alteridade e consiga se colocar no lugar do outro (há?!).
Por muito tempo em nossa vida, vivemos as escolhas de outros. A saúde está em escrever o próprio script com base nessas experiências prévias. Quanto melhor, melhor.
E há cenas que a gente assiste e diz, essa não é a minha vida, não pode ser.
Mas é. E daí, eu existo.
Sei que quem deveria ler isso aqui não vai, e caso lesse, não entenderia.
Na psicologia, o correto é que a gente conheça a nossa história de vida, de cabo a rabo, pra não repetir, casualmente, escolhas ruins e relações ruins que tenhamos, porventura, vivido antes que pudéssemos escolher.
Hoje estou com raiva, querido diário.
Há coisas que ficam guardadas em armários por muitos anos. E diz um ditado americano que raiva é como torta de maçã, depois de fria não tem mais sentido. É verdade.
Mas há momentos em que a nossa história de vida salta na nossa frente, seja na vida da gente ou na vida dos outros. Porque, sim, há quem tenha uma certa alteridade e consiga se colocar no lugar do outro (há?!).
Por muito tempo em nossa vida, vivemos as escolhas de outros. A saúde está em escrever o próprio script com base nessas experiências prévias. Quanto melhor, melhor.
E há cenas que a gente assiste e diz, essa não é a minha vida, não pode ser.
Mas é. E daí, eu existo.
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