Essa pedra eu cantei na época do filme, ensaio sobre a cegueira. Saramago era,então, para mim, um filósofo. Hoje, vejo ele como um profeta.
Todos vimos as notícias, amigos nossos do sudeste viveram o apagão do dia de ontem.
O que acontece quando não vemos? retornamos à barbárie, que cá está, dentro de nós: carros se batendo, pessoas roubando, outras correndo, outras fugindo, todas com medo do escuro. Não creio que haja escuro pior do que carregamos, mas quando o externo se apresenta com um estímulo de insegurança nessa magnitude, aí bom, realmente somos humanos, aqueles que têm medo.
Esses momentos nos quais perdemos a onipotência são mesmo lindos de se ver, como um temporal. Nada podemos e a realidade lá está. Chorem, gritem, rezem, lá está.
Quem leu o livro do Saramago, certamente viu (pelos jornais aqui no sul e ao vivo no sudeste) o que descreveu o autor, o caos, o abandono, a emergência. Gostei de ver guardas, bombeiros, correndo, organizando, ajudando. Há quem diga que as tragédias servem pra um reencontro com dimensões mais generosas do homo. Penso até quando resistiremos a tantos testes de realidade...
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Lamentavalmente tem uma parte da minha vida que vem me impedido de vir aqui pensar com a frequência que eu gostaria. Mas vou tentar não me render. Não deixem de ler, vou tentar retornar a uma certa periodicidade.
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Enquanto o mundo gira, seguimos aqui, refletindo sobre o que realmente vale a pena, ok?
beijo nas cria