A história do blog contada por Nietzsche

"Foi assim, portanto, quando precisei disso, inventei também para mim os 'espíritos livres', aos quais é dedicado este livro melancólico-corajoso com o título de Humano, Demasiado Humano: semelhantes 'espíritos livres' não existem, nunca existiram, mas então, como já disse, tinha necessidade de sua companhia para ficar com coisas boas no meio de coisas más: como valentes companheiros e fantasmas, com os quais se conversa e se ri, quando se tem vontade de conversar e de rir, e que se manda para o diabo quando se tornam aborrecidos, como um substitutivo de amigos que fazem falta."

sábado, 11 de julho de 2009

o que todos estão falando - M.J. 1958-2009

Demorei. Mas não posso deixar de falar. Morreu Michael Jackson. Há mais de 10 dias e o mundo segue falando disso.
Por quê?
Porque morre a infância de muita gente, a adolescência de muita gente, as festinhas de garagem, os primeiros namoricos. Morre com a morte do showman a possibilidade de vê-lo ser humano, um pouquinho que fosse. Coletivamente observamos suas transformçaões, doença sim, doença não, mas doente com certeza. O que ele produzia na coletividade, dizem os repórteres, era algo de magia e de um carisma intenso, quase sobrehumano.

Mas a sua humanidade aparecia, claramente, na sua insatisfação, nas dores, nos excessos, na mutilação. Somos expectadores - e especuladores - muito distantes do que pode realmente ter sido. Mas a matemática da infância proibida, roubada, na equação de uma vida sem limites, nas letras com clamores de " salvem as crianças", nos trazem, com a morte, um pouco da perda da esperança. Do que podemos esperar do ser humano.
Porque não só nós todos não sabíamos quem ele era. Um ídolo, um carisma ambulante. Mas uma dor ambulante, que morre de dor, morre pela dor, morre para não sentir dor.
Ele morreu e nós não entendemos nada! Como tudo isso aconteceu? e o dinheiro e a fama? tudo balela quando se trata das dores da alma.

Muitas pessoas ainda estão empaticamente ligadas a esse fato.
Porque sentir toca a todos.
Sentir ou não poder-querer sentir, resulta na questão mais humana da atualidade.
Respondemos a estímulos e a sensações, buscamos o prazer.
Mas não sentimos.
Claro que me coloco nessa fala, não estou livre desse mal também. É preciso um esforço para sentir, numa época em que o mais fácil é negar, engolir pílulas, e todas as outras atuações possíveis ao homo sapiens.

Michael Jackson, como todo ícone, representa, maximiza o que todos nós temos em algum ponto. A persona, as máscaras, o falso-self, as fugas, as lutas para fugir do que é mais inevitável, o processo de sentir. Tomara, que em algum lugar ele tenha podido saber quem era. Porque hoje, ainda acho que essa seja a pior dor: não ter a mínima noção de quem ou o que se é. A falta de consciência, de intenção, de escolha. A falta, portanto, de ser.



2 comentários:

Vanessa Andina Teixeira disse...

bã!! tudo verdade verdadeira. no momento, eu, sinto mesmo é saudade misturada com felicidade por dividir contigo tudo, sempre.
te amo

Hericka Zogbi J Dias, Dra. Me. disse...

sério, eu to tao aptrapalhada que nao lebrei de dividir isso contigo... imagino que estejas sentindo a perda como eu to.. um misto de sentimentos... depis vou postar mais.
beijo